Adultos

Lição 4 - O Espírito que nos guia para além das fronteiras V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 4 – O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre a soberania de Deus na condução da Sua Obra. Veremos que o Espírito Santo guia aqueles
a quem chama e alguns dos primeiros acontecimentos da segunda viagem missionária. Analisaremos que o reino das trevas possui estratégias sutis e definidas com o objetivo de comprometer o avanço do Evangelho e, por fim, destacaremos que estar na direção de Deus não nos isenta de açoites e prisões.

I – LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA

Neste tópico veremos como o Espírito Santo dirigiu soberanamente a segunda viagem missionária, conduzindo Paulo até Filipos. Analisaremos a conversão de Lídia, a primeira cristã em solo europeu, e compreenderemos como Deus utiliza pessoas, lugares e circunstâncias para estabelecer a Sua Igreja e promover o avanço do Evangelho.

1.1 O Espírito e a segunda viagem missionária. O livro de Atos dos Apóstolos, conforme observado por muitos estudiosos, é denominado “Atos do Espírito Santo”, tendo em vista o protagonismo do Espírito e Sua insubstituível atuação: “O Espírito guia a igreja na sua escolha dos líderes e na sua atividade evangelizadora, e isto de tal forma que Atos às vezes tem sido descrito como o livro dos “Atos do Espírito Santo” (Marshall, 1982, p. 31). Algumas das atuações do Espírito Santo no livro de Atos: ele concedeu poder aos discípulos para testemunhar (At 1.8); os encheu e concedeu dons (At 2.1-4); inspirou os discípulos com ousadia (At 4.31), sabedoria (At 7.10) e autoridade na pregação (At 2.14-36); revelou pecados (At 5.1-11); dirigiu Filipe na evangelização e o transportou a outro local para pregar (At 8.29-40); orientava a Pedro (At 10.19,20; 11.12); separou e enviou para a missão (At 13.14); impediu algumas missões (At 16.6,7); constituiu ministros (At 20.28).

1.2 A fé, sensibilidade e hospitalidade de Lídia. A Escritura faz apenas duas referências a esta mulher piedosa (At 16.14,40). Era uma cristã temente a Deus e a primeira a aceitar a mensagem de Paulo quando chegou a Macedônia. Natural de Tiatira, bem-sucedida financeiramente, pois comerciava púrpura, um produto de alto valor. As duas referências feitas a Lídia demonstram, entre as suas muitas qualidades, uma característica que deve fazer parte do perfil do verdadeiro cristão: a hospitalidade (Hb 13.2). Ela hospedou o apóstolo Paulo logo após o seu batismo e de sua família (At 16.14,15). Mais tarde, quando o apóstolo foi solto da prisão (At 16.40), ela o hospedou novamente (Gardner, 1999, p. 411). Temente, empresária, mantenedora da obra e, segundo o registro de Atos, a primeira convertida em solo europeu.

1.3 A cidade de Filipos. Arnaldo Schuler, em seu Dicionário Enciclopédico, informa que essa antiga cidade do estado grego da Macedônia, Filipos, foi fundada por Filipe II (382-336 a.C.), pai de Alexandre Magno. É do seu fundador que vem o nome “Filipos”. Foi nela onde Paulo fundou a primeira congregação cristã em solo europeu. Por volta do ano 55 da era cristã, o apóstolo Paulo escreve a esta igreja, provavelmente de Éfeso, a epístola aos Filipenses. Desta antiga cidade hoje só restaram algumas ruínas (2002, p. 207).

1.4. A relevância da cidade de Filipos. Alguns eventos enaltecem esta cidade. Vejamos alguns deles: (a) a direção soberana do Espírito guiando seus servos até ela (At 16.6-10); (b) foi ali onde, pela primeira vez, o Evangelho chegou à Europa (At 16.11-15); um espírito de adivinhação é expulso (At 16.16-18); a prisão de Paulo e Silas resultou na conversão de um carcereiro romano e de sua família (At 16.27-34); o nascimento da igreja de Filipos, que mais tarde receberia a epístola aos Filipenses, uma das cartas mais afetuosas de Paulo (Fp 1.1).

II – AS ESTRATÉGIAS DAS TREVAS CONTRA A EVANGELIZAÇÃO

É importante refletir sobre o ardil (2Co 2.11) do espírito imundo ao induzir àquela jovem a testemunhar do avanço do Evangelho em Filipos e proclamar a autenticidade do serviço dos missionários (At 16.17,18).

2.1 A expulsão de um espírito de adivinhação. Certa vez Jesus ordenou aos discípulos que não dissessem da Sua identidade logo após a revelação de que Ele era o Cristo (Mt 16.20). Foi exatamente isso que os demônios procuraram fazer bem no início do ministério de Jesus: expor a Sua identidade antes do tempo. Ele, contudo, não lhes permitiu que falassem (Mc 1.23-26, 34; Lc 4.40,41). Qual é a estratégia do reino das trevas em tornar notória a Obra de Deus na segunda viagem missionária? Vejamos:

2.1.1 Expor os missionários. Segundo o teólogo Marshal “o efeito da proclamação da jovem, que foi repetida no decurso de muitos dias, cada vez que se encontrava com Paulo, foi dar aos missionários uma publicidade inesperada. (1982, p. 254). O objetivo do reino das trevas era trazer uma exposição precoce da presença dos missionários ali, expondo-os a circunstâncias inesperadas, como de fato veio a ocorrer (At 16.19ss).

2.1.2 Incitar os missionários à vaidade. Sem dúvidas, uma das mais exitosas estratégias do diabo é incitar os servos de Deus à vaidade: [...] estes homens [...] são servos do Deus altíssimo” (At 16.17). Diferente do genuíno elogio, a lisonja é uma armadilha diabólica e carnal (Pv 29.5; Rm 16.18; 1Ts 2.5) e a incitação à vaidade é uma tentação que o diabo utiliza para fazer tropeçar aquele que é chamado por Deus (1Cr 21.1ss).

2.1.2 Perseguição velada. A proclamação da jovem ainda pode ser vista como assédio e perseguição a Paulo e aos seus companheiros. Aonde fossem, a jovem possuída pelo demônio “gritava que aquilo que Paulo e Silas pregavam era a Palavra de Deus” (Sproul, 2017, p. 374). Diz o texto: “E isto fez ela por muitos dias” (At 16.18a). Havia ali, na verdade, uma perseguição com aparência de aprovação.

2.1.3 Lançar tropeços. O teólogo Myer Pearlman diz: “Parece que Satanás, às vezes, empregava o truque do testemunho para causar empecilhos ao Evangelho. Leva alguns de seus agentes a se pronunciarem seguidores da obra evangelística. Seu objetivo é desacreditar o Evangelho, fazendo com que o povo em geral tenha péssima impressão dos cristãos” (1995, p. 176). Do jeito que a jovem exclamava, poderia ou pretendia aparentar ser do grupo dos missionários, tornando a primeira impressão do Evangelho caricata e inconveniente, criando barreiras à abertura das pessoas a mensagem de Paulo e Silas. O apóstolo já havia tido experiência semelhante em sua primeira viagem missionária (At 13.6-12).

III – A REAÇÃO DO REINO DAS TREVAS

Neste tópico observaremos que o avanço do Reino de Deus sempre desperta oposição do reino das trevas. Veremos que a perseguição aos servos de Cristo faz parte da batalha espiritual e que Deus continua soberano, sustentando os seus servos mesmo em meio às injustiças e às adversidades.

3.1 A reação dos exploradores. A reação daqueles que eram beneficiados com a influência do espírito enganador, revela, na verdade, a reação do reino das trevas à chegada do reino da luz. A passagem do endemoninhado de Gadara revela o incômodo dos demônios com a chegada de Jesus (Mt 8.29) e o semelhante incômodo dos porqueiros (Mc 5.14-17).

3.2 O espinho na carne de Paulo. É razoável entender o espinho na carne de Paulo, o mensageiro de satanás que o esbofeteava, como sendo a manifestação das muitas retaliações que o apóstolo sofria. Quando ele entende que o espinho fazia parte de um processo divino para mantê-lo humilde, passa a recebê-lo como uma glória: “[...] De boa vontade agora me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo [...]” (2Co 12.9,10). Logo após o apóstolo repreender o espírito maligno, inicia-se uma sequência de injúrias, perseguições e angústias pela causa de Cristo (At 16.19-29).

3.2 A falha da justiça humana. A acusação contra Paulo e Silas foi injusta, pois não os acusaram de terem curado a escrava, pois isso poderia indicar justamente a parcialidade no julgamento. A acusação foi escolhida cuidadosamente a fim de suscitar o preconceito do povo e dos magistrados. Disseram que Paulo e Silas eram judeus causando perturbação na cidade (At 16.20). Naquele contexto, os judeus tinham a reputação de causar tumultos. Mencionar um judeu associado a qualquer desordem era suficiente para inflamar um oficial romano a prendê-lo. Disseram também que eles estavam advogando costumes que eram ilegais em Roma (At 16.21). A acusação era de que Paulo e Silas faziam proselitismo de romanos. “Não temos evidências de que os romanos naquela época considerassem ilegal o proselitismo de romanos (Broadman, 1994, p. 120).

IV – A PRISÃO DE PAULO E SILAS

Neste tópico estudaremos como Deus transformou um cenário de sofrimento em uma oportunidade para manifestar o Seu poder. Veremos que a fidelidade em meio às provações, o louvor oferecido em circunstâncias difíceis e a proclamação do Evangelho resultaram na libertação de vidas e na conversão do carcereiro e de toda a sua família.

4.1 Açoites e prisão por causa do Evangelho. O ultraje sofrido pelo apóstolo em Filipos (At 16.22-24) o marcou profundamente. Em suas epístolas, Paulo se refere direta e indiretamente àquela violência em Filipos. Ele escreveu à igreja em Tessalônica: “Fomos anteriormente maltratados e ultrajados em Filipos” (1Ts 2.2, NVI). Na sua lista de sofrimentos ele menciona que foi açoitado três vezes com vara (2Co 11.25) pela causa de Cristo (Pearlman, 1995, p. 137).

4.2 O poder do louvor. O louvor exalta a Deus (Sl 34.1; 150.6), fortalece a fé (Sl 103.2), traz a presença manifesta de Deus (Sl 22.3), precede grandes vitórias (2Cr 20.20-22), vence o desânimo (Sl 42.11), é um sacrifício agradável a Deus (Hb 13.15) e produz liberdade espiritual (At 16.22-6). O exemplo de todas essas verdades acerca do louvor é visível no que Deus fez enquanto Paulo e Silas oravam e cantavam.

4.3 A conversão do carcereiro. A palavra de Paulo ao carcereiro: “crê no Senhor Jesus e serás salvo tu e a tua casa” é uma palavra direcionada ao carcereiro. Fazer desta palavra de Paulo regra de fé e ensino de que, se alguém crer em Jesus, então, todos da casa da tal pessoa serão salvos, é forçar o texto a dizer o que ele não pretende. Essa promessa foi para aquele carcereiro, e se cumpriu, pois “logo foi batizado, ele e todos os seus” (At 16.33).

CONCLUSÃO

Os eventos iniciais da segunda viagem missionária demonstram que o Espírito Santo guia os seus servos, confirma sua
direção abrindo corações, levanta mantenedores, dá discernimento e poder e dá graça no momento da tentação.

REFERÊNCIAS

• BROADMAN. Comentário Bíblico Broadman. vol. 10. CCB.

• GARDNER, Paul. Quem é Quem na Bíblia Sagrada. Editora Vida.

• MARSHALL, Howard. Atos: Introdução e Comentário. Mundo cristão.

• PEARLMAN, Myer. Conhecendo as doutrinas da Bíblia. Editora Vida.

• SCHULER, Arnold. Dicionário Enciclopédico de Teologia. Editora Ulbra.

• SPROUL, Robert. Estudos Bíblicos Expositivos em Atos. Editora Cultura.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 19 de Jul de 2026

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