Adultos

Lição 7 - A Obra do Filho V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas

COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 7 – A OBRA DO FILHO

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos a obra do Filho em três dimensões inseparáveis: Humilhação, Redenção e Exaltação. Veremos que na Humilhação, Cristo, sendo Deus, esvaziou-se voluntariamente, assumiu a forma de Servo e obedeceu até a morte de cruz (Fp 2.6–8). Pontuaremos que na Redenção, satisfez a justiça divina, expiou os pecados como Cordeiro perfeito e venceu o pecado e a morte (Is 53; Hb 9.28; 1Co 15.55–57). E por fim, na Exaltação, foi ressuscitado e exaltado pelo Pai, recebendo o nome acima de todo nome, para que toda a criação o adore (Fp 2.9–11; At 2.33).

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA ENCARNAÇÃO

1.1 A etimologia do termo. A expressão “encarnação”, ou seja, a humilhação voluntária do Filho, é utilizada pelos teólogos para indicar que Jesus, o Filho de Deus, assumiu a forma de carne humana. Encarnar significa: fazer-se carne, fazer-se homem, tornar-se humano, revestir-se de carne. A encarnação do Verbo consiste no autoesvaziamento de Cristo, termo traduzido do grego ekenōsen, que significa: “esvaziar, humilhar-se voluntariamente, neutralizar, anular-se, despir-se de uma dignidade justa, descendo a uma condição inferior”. A encarnação afirma, de modo específico, a plena humanidade de Jesus. O termo encarnação significa literalmente “o ato de ser feito carne” (Jo 1.14). O apóstolo Paulo explica essa verdade de maneira clara e profunda (Fp 2.5-8). Sem a encarnação, Cristo não poderia realmente morrer; e, se Ele não pudesse morrer, a cruz perderia o seu sentido redentor. Por isso, o escritor aos Hebreus afirma: “Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste” (Hb 10.5).

II – A ENCARNAÇÃO DO VERBO E O AUTOESVAZIAMENTO

Certa vez, o evangelista Billy Graham afirmou com propriedade: “O maior acontecimento da história não foi o homem subir e pisar na lua, mas Deus descer e pisar na terra”. A encarnação de Jesus [o autoesvaziamento de sua glória] é maravilhosa em todos os seus aspectos, comprovando que Ele é o personagem mais importante da história da humanidade. Na encarnação, o Deus eterno fez-se carne; o Senhor tornou-se súdito; o Divino fez-se humano; o Imortal fez-se barro; o Rei tornou-se carpinteiro; o Criador fez-se criatura; a Água teve sede; o Pão sentiu fome; o Forte experimentou cansaço; o Guarda eterno dormiu; o Consolador chorou; a Alegria sentiu tristeza; a Vida entregou-se à morte; e o Deus inacessível habitou entre nós (Jo 1.14; Fp 2.5-11).

2.1 A encarnação: Deus habitando entre nós. A encarnação de Jesus foi o próprio Deus vindo habitar entre os homens (Jo 1.14b). O nome Emanuel, que o próprio evangelista traduz por “Deus conosco” (Mt 1.23), expressa claramente essa verdade. As Escrituras confirmam esse mistério: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu” (Is 9.6); “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14); e, “Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9). O verbo “habitar”, em João 1.14, deriva do grego skenóō, que significa “armar tenda, tabernacular”. Essa expressão aponta para o caráter da habitação do Verbo em carne. Já em Colossenses 2.9, Paulo utiliza o verbo katoikéō, que indica uma habitação permanente, afirmando que toda a plenitude da divindade reside em Cristo.

2.2 A encarnação e a autorrenúncia. A doutrina da autorrenúncia ensina que Jesus, ao assumir a natureza humana, não deixou de ser Deus, pois não se esvaziou de sua divindade (Fp 2.7–8). Como bem afirmou um teólogo: “Quando Jesus desceu à terra, não deixou de ser Deus; e quando voltou ao céu, não deixou de ser homem”. A encarnação do Verbo não é apenas um conceito teológico ligado à união hipostática [a dupla natureza: divina e humana], mas um dos maiores mistérios das Escrituras Sagradas, sem o qual a redenção seria impossível. Em sua humanidade, Jesus participou plenamente de nossas limitações físicas e emocionais: “Manteiga e mel comerá, até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem” (Is 7.15); “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lc 2.40,52). A Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma que Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, concebido pelo Espírito Santo no ventre da virgem Maria (Soares [Org.], 2016, p. 59).

2.3 A encarnação excede o entendimento humano. A encarnação de Jesus é fruto da atuação conjunta da Trindade: do Espírito Santo, do poder do Pai e da santidade do Filho (Lc 1.35). Trata-se de um mistério que ultrapassa a razão humana, mas que pode ser plenamente aceito pela fé. Por meio desse milagre, Cristo veio em semelhança de carne (Rm 8.3), tornou-se descendência de Abraão (Hb 2.16) e foi feito semelhante aos irmãos em tudo (Hb 2.17).

2.4 A encarnação e a mediação. Ao participar da carne e do sangue, Jesus tornou-se plenamente apto para ser o Mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Deus lhe preparou um corpo humano (Hb 10.5), dotado de carne e ossos (Lc 24.39). A encarnação é também o critério bíblico para distinguir a verdadeira fé cristã do espírito do anticristo (1Jo 4.2-3).

III – A NATUREZA HUMANA DO VERBO ENCARNADO

De forma voluntária, o Senhor Jesus Cristo não utilizou da glória que possuía junto ao Pai (Jo 17.5), sujeitando-se às limitações humanas, para realizar a obra da redenção (Fp 2.5-8). Vejamos:

3.1 A plena humanidade de Jesus. O Novo Testamento afirma que Jesus nasceu de mulher (Gl 4.4), cresceu fisicamente (Lc 2.52), dormiu, sentiu fome, sede, cansaço, chorou, alegrou-se, foi tentado e viveu todas as experiências próprias da condição humana, sem pecado.

3.2 O Verbo encarnado. O Verbo eterno “se fez carne” (Jo 1.14). Esse milagre fundamenta a essência do Evangelho: Deus introduziu o seu Primogênito no mundo (Hb 1.6), tornando-o semelhante aos homens, para que fosse o Mediador e o fiel Sumo Sacerdote (Hb 2.17).

3.3 Jesus é chamado de homem. A Bíblia registra duas genealogias de Jesus e o chama explicitamente de homem (At 2.22; Jo
19.5; 8.40; 1Tm 2.5), ressaltando a realidade de sua encarnação.

3.4 O Filho do Homem. A expressão “Filho do Homem” aparece com frequência nos evangelhos, destacando a humanidade de Cristo. Ele nasceu, cresceu, trabalhou como carpinteiro, experimentou emoções humanas, sofreu, foi tentado e morreu como verdadeiro homem.

IV - OS PROPÓSITOS DA ENCARNAÇÃO DO VERBO

Há inúmeros propósitos na vinda de Jesus a este mundo: (a) prover um sacrifício efetivo pelo pecado (Hb 10.1-10); (b) demonstrar a glória de Deus (Jo 1.14; Lc 2.14); (c) cumprir o decreto de Deus (Gl 4.4); (d) ser o mediador entre Deus e os homens (Hb 12.24; 1Tm 2.5); e, (e) trazer paz aos homens na terra (Lc 2.14b; Ef 2.14-16). Podemos pontuar outros quatro propósitos da encarnação de Jesus:

• Revelar Deus ao homem (Jo 1.18; 14.7-11). Jesus é a “expressão exata” do ser de Deus (Hb 1.3). A encarnação nos revela Deus pessoalmente, daí Jesus ser chamado “Emanuel”, ou seja, “Deus conosco” (Mt 1.23). O Deus transcendente também é imanente (inerente, inseparável) e acessível. A divindade de Jesus em sua humanidade é a chave para o conhecimento íntimo de Deus. Cristo revelou para nós o Deus invisível (Jo 1.18; 1Tm 1.17; Cl 1.15; 19).

• Destruir as obras do diabo. “Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo” (1Jo 3.8).

• Tornar possível a morte do Redentor. Sem a encarnação, o Verbo não poderia morrer, porque Deus não é passível de morte (Hb 2.9).

• Ser o nosso sumo sacerdote (Hb 4.14-16). Jesus viveu como homem, por isso se compadece e intercede por nós a Deus.

V - CONTRASTE ENTRE O SACERDÓCIO LEVÍTICO E O DE CRISTO

Hebreus 9.24–28 pode ser dividido em quatro temas principais, nos quais o autor estabelece um contraste claro entre o
sacerdócio levítico e o sacerdócio de Cristo:

• Superioridade do santuário celestial (v. 24). Cristo não entrou em um santuário terreno, que era apenas cópia e figura do verdadeiro, mas adentrou o próprio céu, a fim de comparecer agora diante de Deus em nosso favor, exercendo perfeita intercessão.

• Unicidade do sacrifício (vv. 25-26). Diferentemente do sumo sacerdote levítico, que oferecia anualmente sangue alheio, Cristo ofereceu a si mesmo uma única vez por todas, no fim dos tempos, para aniquilar o pecado por meio do sacrifício de si mesmo.

• Analogia com a morte humana (v. 27). Assim como aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo depois disso o juízo, também Cristo morreu uma única vez, com o propósito de remover os pecados de muitos.

• Segunda vinda para salvação (v. 28). Cristo aparecerá pela segunda vez, não para tratar do pecado, mas para conceder plena salvação àqueles que o aguardam com fé.

CONCLUSÃO

A tentativa gnóstica/docetista de negar as naturezas de Cristo continuam a ser defendidas por grupos heterodoxos em
nossos dias, e por isso, precisamos estar preparados para defender com sabedoria a nossa fé.

REFERÊNCIAS

• ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. CPAD.

• BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: o Deus único revelado em três pessoas eternas. CPAD.

• MCGRATH, Alister E. Teologia sistemática, Histórica e Filosófica. SHEDD.

• OLSON, Roger. História da teologia cristã. VIDA

• SILVA, Esequias Soares da. Em defesa da fé Cristã. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 08 de Fev de 2026

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