NEY GOMES*

MEMÓRIAS DE UM PARDAL, OUTRAS

“Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar; Para que, vendo-o o Senhor, seja isso mau aos seus olhos, e desvie dele a sua ira. (Provérbios 24. 17, 18 - ACF)
Quando estava no Penhasco das Lágrimas Ocultas (pág. 30, 31), o Pardal contou uma importante história que ouviu de sua mãe para seus três amigos, sobre o dever de vigiar os próprios sentimentos e emoções.
Certa vez, ele chegou em seu galho de repouso reclamando da rivalidade com uma teimosa andorinha.
Ele disse: — Mãe, detesto aquela andorinha teimosa!
Sua mãe nada expressou e nada falou por todo aquele dia (Pv 14.22). À noite, ela sempre lhe contava uma história de ninar, e foi então que ela lhe ensinou:
Existia, não distante dali uma fazenda cujo dono amava comer “rolinhas” [columbina], mas ele nunca conseguia colocá-las em suas armadilhas. Elas eram espertas, atentas e de voo rápido.
Um dia, depois de muitas tentativas frustradas, o fazendeiro, já quase sem esperança, percebeu que as “inteligentes rolinhas” tinham uma mágoa profunda das corujas-carijó. Ele não sabia o porquê, nem como, nem quando começou (mas isso tem alguma importância?), mas viu nisso uma excelente oportunidade (I Pe 5.8).
Então, montou uma armadilha e conseguiu prender uma corujas-carijó. Aves que pareciam apenas querer viver a sua própria vida e que não eram muito inteligentes. O fazendeiro colocou a coruja numa gaiola dourada, bem na varanda da casa da fazenda, e esperou (Pv 14.16).
As espertas rolinhas evitavam, a todo custo, aquele lugar, de chegar perto da casa do fazendeiro. Mas ver a coruja presa parecia ser um espetáculo que não podia ser ignorado (Pv 27.12). Essas pequenas aves, de aparência dócil e inofensiva, tinham verdadeiro rancor das corujas (Pv 17. 13). E o fazendeiro contava para que sua estratégia desse certo, com esse rancor e mágoa.
Dentro da floresta, a notícia se espalhou entre as “rolinhas” e, juntas, foram em bando assistir ao espetáculo gratuito e prazeroso (Zc 8.17). Mas elas não sabiam que o fazendeiro havia passado visgo em todos os galhos das árvores ao redor da casa, próximo da gaiola com o ilustre preso.
Naquela tarde, o fazendeiro capturou mais de 50 rolinhas, jantou e almoçou elas por semanas (Pv 17.5).
Essa história deixou o pequeno Pardal grandemente assustado e, diante disso, sua mãe lhe deu a lição que tanto queria:
“O ressentimento é a verdadeira prisão, e guardar mágoa é tudo aquilo que nos torna presas fáceis.”
Ney Gomes – 26 de setembro de 2026.Reflexões do 37º AMÓS.
"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo." 1 Timóteo 4.10
ATENÇÃO. - Esse texto não pode ser reproduzido sem a autorização do autor
Fonte: https://graosdeentendimento.blogspot.com/2026/09/memorias-de-um-pardal-outras.html Acesso em 30 set. 2026
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR NEY GOMES
* Pastor da Comunidade Evangelística Internacional em Barra de São João/RJ

