Lição 4 - O Espírito que nos guia para além das fronteiras VI

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ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS

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TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby

COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 4 – O ESPÍRITO QUE NOS GUIA PARA ALÉM DAS FRONTEIRAS

Depois do sucesso da primeira viagem, o apóstolo é impelido pelo Espírito a confirmar e fortalecer as igrejas que foram fundadas na primeira viagem e avançar com a pregação do Evangelho em boa parte da Europa do mundo antigo. A experiência de Paulo nesta viagem revela uma lição importante a todos os que receberam de Deus o chamado missionário: não basta apenas ter boa vontade para pregar, é preciso obedecer irrestritamente à voz do Espírito Santo. Após separar-se de Barnabé, Paulo e Silas, acompanhados agora de Timóteo, partem em direção à Listra. No entanto, o Espírito os impediu de prosseguir em direção à Asia.

O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.

LÍDIA: QUANDO O ESPÍRITO ABRE O CORAÇÃO E FUNDA UMA IGREJA

O apóstolo Paulo estava a caminho da sua segunda viagem missionária, acompanhado por Silas, Timóteo e Lucas, com o propósito de abrir novos campos e plantar novas igrejas. Paulo tinha um plano ousado para evangelizar a Ásia, mas aprouve a Deus mudar o rumo da sua jornada e direciona-lo à Europa. A agenda missionária da igreja deve ser dirigida por Deus, e não pelos obreiros, deve ser definida no céu, e não na terra. Paulo abriu mão do seu projeto e abraçou o projeto de Deus, assim o evangelho entrou na Europa.

Quando entendemos que a estratégia a ser empregada no campo missionário deve ser de origem divina, o sucesso dessa obra prevalece. O plano missionário é divino, desse modo, toda e qualquer estratégia deve ser buscada em Deus, sob a inspiração do Espírito Santo. Missões não é estatística, mas sim uma obra de fé e amor. Foi obedecendo ao Espírito Santo que Paulo e Silas foram ao campo missionário Europeu, encontrando ali almas prontas para conhecerem a Cristo. Chegando lá, uma conversão é destacada em Atos: a conversão de Lídia.

Lídia era uma mulher de negócios, bem-sucedida, “vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira” (v. 14), uma pessoa de alguma importância. […] Vê-se que Lídia devia viver bem em sentido financeiro. Ela representa a classe culta e trabalhadora que busca a Deus com sinceridade. A sua conversão é o primeiro registro de uma pessoa europeia convertida ao cristianismo, fazendo dela um marco histórico e espiritual na expansão do Reino: “[...] e o Senhor lhe abriu o coração para estivesse atenta ao que Paulo dizia” (v. 14).

Perceba que Paulo e Silas encontram Lídia nas reuniões de oração em Filipos. Como gentia, ela se destaca como alguém que sempre estava voltada a parte espiritual. Mesmo com grandes posses, o materialismo nunca entrou em seu coração.

É Deus quem toma a iniciativa na conversão de Lídia e quem lhe abre o coração. Não apenas Lídia é convertida, mas toda a sua casa (16.15). E não apenas sua família é batizada, mas sua casa se transforma na sede da primeira igreja da Europa (16.40).2 Deus prepara corações receptivos antes mesmo que a mensagem seja pregada. A salvação é uma obra da graça, e o Espírito Santo é quem abre o entendimento para a verdade.

Destaque

Ao chegar em Trôade, Paulo recebe a visão de um homem macedônio suplicando “Passa à Macedônia, e ajuda-nos” (At 16.9). Essas informações destacam que o trabalho missionário da igreja não era feito apenas considerando as circunstâncias humanas, mas, também sob a oração e orientação do Espírito Santo. O resultado desse direcionamento foi o avanço do Evangelho em Filipos, local onde Paulo fundou mais uma igreja, e a conversão de muitas pessoas que se tornaram colaboradores do ministério de Paulo, dentre elas, Lídia, a vendedora de púrpura (At 16.14). Ainda nesta viagem, Paulo orou pela jovem que tinha um espírito de adivinhação (vv. 16-18) e, posteriormente na prisão, impediu a morte do carcereiro que veio a se converter (vv. 27-32).

Depois de passar “alguns dias” em Filipos, os missionários saíram fora das portas da cidade para a beira do rio Gangites, onde julgaram haver um lugar de oração. Ao chegarem ao local, encontraram algumas mulheres devotas que se reuniam para a oração (v. 13). O início do trabalho missionário na Macedônia não poderia ter sido mais simples e humilde, mas, quando os missionários contaram a sua história às mulheres, a primeira a aceitar a mensagem foi Lídia. A presença dela no lugar de oração indica a sua devoção e abertura para questões espirituais.

A LIBERTAÇÃO DA JOVEM POSSESSA E O CONFRONTO COM OS PODERES DAS TREVAS

As portas do Evangelho foram abertas em Filipos, e a casa de Lídia se tornou uma congregação base para os missionários de Jerusalém. Contudo, o poder do Evangelho vai além de limites, e alcança vidas que necessitam. Paulo e Silas, mesmo tendo a casa de Lídia como ponto de concentração missionário, sempre iam buscar refúgio em outros lugares onde julgavam ser voltados a oração (At 16.13).

Em uma dessas ocasiões, se depararam com uma jovem feita de escrava pelos seus senhores e por Satanás. Ela, possuída de um espírito maligno, adivinhava e gerava grande lucro aos seus senhores. Suas intervenções em direção aos missionários os incomodaram (At 16.18), fazendo com que Paulo, cheio do Espírito Santo, expulsasse aquele espírito maligno e libertasse a jovem da escravidão.

Paulo foi o instrumento de Deus para a libertação da jovem possessa. A moça foi libertada dos demônios, e Paulo foi preso pelos seus exploradores. Quando os servos de Deus são usados na terra, o inferno se agita e os agentes do diabo se enfurecem. O diabo e o mundo se opõem à obra de Deus. Não há vida cristã sem luta, sem oposição, sem confronto. Ninguém pode viver uma vida piedosa sem ser perseguido.

A intervenção divina na vida da jovem, por intermédio de Paulo, causou um agito na região. Os senhores daquela jovem perderam seu lucro, e com isso prenderam a Paulo e Silas, que foram julgados pelos magistrados, açoitados e presos.

Paulo e Silas foram presos não por fazerem o mal, mas por fazerem o bem. Não foram presos porque oprimiram a jovem, mas porque a libertaram. Acabaram presos porque o diabo foi desmascarado e porque os homens que estavam mancomunados com as trevas perderam sua fonte de lucro.

Destaque

Ainda que Satanás seja o pai da mentira, declara as verdades mais importantes quando por elas pode servir os seus propósitos. Os ímpios e os falsos pregadores do Evangelho fazem muita maldade aos verdadeiros servos de Cristo, por serem confundidos como sendo um deles pelos observadores indiferentes. Aqueles que fazem bem, tirando os homens do pecado, devem esperar ser insultados como alvoroçadores da cidade. Enquanto ensinarem os homens a temerem a Deus, a crerem em Cristo, a abandonarem o pecado e levarem vidas santas, serão acusados de ensinar maus costumes.

A PRISÃO DE PAULO E SILAS E A CONVERSÃO DO CARCEREIRO

Paulo e Silas foram falsamente acusados e espancados (v. 22). Após isso, foram lançados na prisão, no cárcere interior, ficando com os pés presos no tronco, como criminosos perigosos. O cárcere interior da prisão em Filipos era uma cela de segurança máxima em um nível abaixo da prisão principal, como um porão ou masmorra, sendo a parte mais segura e, provavelmente, a mais inóspita e insalubre, onde Paulo e Silas foram encarcerados após serem açoitados.

Os missionários de Jerusalém ali estavam por libertar uma vida. Eles prenderam seus corpos físicos, mas não entenderam que algo maior havia acontecido: uma libertação espiritual ocorreu no meio deles.

Depois de açoitados, Paulo e Silas foram entregues ao carcereiro, com a recomendação de que os guardassem com toda segurança. Por essa razão, foram levados ao cárcere interior, onde seus pés foram presos no tronco. Na parte externa da cadeia, os presos tinham liberdade de caminhar e encontrar amigos e parentes, mas a parte interna era escura e preparada para manter os presos submetidos a rígido confinamento. Ali o carcereiro meteu as pernas dos apóstolos no tronco para tornar a fuga impossível. Ser confinado ao tronco representava uma tortura, especialmente quando as pernas eram forçadas a ficar separadas ao serem colocadas em buracos afastados uns dos outros.

Ali Paulo e Silas oravam e cantavam, e o Senhor recebeu e respondeu. Perto da meia noite, quando estavam orando e cantando, um grande terremoto que tudo veio ao chão. O carcereiro pensando que os presos fugiram tentou tirar sua própria vida, contudo, foi impelido por Paulo e Silas, e posteriormente também se converteu ao Evangelho. Outra magnifica obra de salvação da parte de Deus.

Deus apontou o caminho missionário para onde os plantadores deveriam ir, deu-lhes sucesso na missão, mas não sem dor, sofrimento ou sangue. O sofrimento não é incompatível com o sucesso da obra. Muitas vezes, o solo fértil da evangelização é regado pelas lágrimas, suor e sangue daqueles que proclamam as boas novas do evangelho.

Destaque

O chamado de Deus é claro, mas as providências de Deus nem sempre o são. Nem sempre é da vontade de Deus nos levar a lugares de bonança. Muitas vezes, ele nos põe no meio da tempestade. Nem sempre Deus fala conosco através do vento suave. Muitas vezes, ele faz o seu caminho na tormenta. Deus queria Paulo e Silas em Filipos. Queria plantar uma igreja em Filipos. Mas os missionários foram parar na cadeia. A cadeia não foi um acidente. A cadeia não frustrou os desígnios de Deus. A cadeia não roubou dos missionários a visão da obra nem lhes arrancou do peito o entusiasmo por fazer a vontade de Deus.

Uma prisão romana tinha três partes distintas. Na comuniora, os prisioneiros tinham luz e ar fresco. Na interiora, que era uma prisão subterrânea, úmida, fria, não havia luz nem ar fresco. Nessa prisão fechada por fortes portões e trancas de ferro, cada cela possuía cinco buracos - dois no chão para os pés e três buracos para os braços e para a cabeça -, o prisioneiro era torturado a cada movimento que fazia. Por fim, havia o tullianum, ou cela subterrânea, o lugar de execução ou o lugar de um prisioneiro condenado à morte. Paulo e Silas estavam com seus pés presos no tronco (16.24). Submetidos a uma tortura alucinante, e isso depois de terem sido surrados com varas, eles não podiam mover-se. Ali, no frio e na escuridão da noite, com os corpos ensanguentados, latejando de dor, com os pés presos no tronco, em vez de ceder aos gemidos ou à revolta, eles oram e cantam!

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA