Lição 2 - A porta da fé se abre entre os gentios V

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ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 2 – A PORTA DA FÉ SE ABRE PARA OS GENTIOS

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos que a missão transcultural não teve origem na iniciativa humana, mas na própria natureza de Deus. Veremos que o Senhor sempre desejou alcançar todas as nações e, para isso, levantou Israel e, posteriormente, a Igreja como instrumentos de sua missão redentora. Acompanharemos também a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, observando como o Evangelho começou a se expandir entre os gentios.

I – A MISSÃO TRANSCULTURAL TEM SUA ORIGEM NA NATUREZA DE DEUS

As missões transculturais não surgiram como uma estratégia humana nem apenas como uma necessidade da Igreja. Sua origem encontra-se na própria natureza de Deus. Desde Gênesis até Apocalipse, as Sagradas Escrituras revelam um Deus missionário que ama toda a humanidade, desenvolve um plano de redenção e chama seu povo para participar da expansão do seu Reino entre todas as nações (Gn 3.15; Gn 12.3; Is 45.22; Mt 28.19; Ap 7.9). Assim, compreender a natureza divina é compreender também a origem da obra missionária.

1.1 Deus é o primeiro missionário. Desde a queda do homem, Deus tomou a iniciativa de buscar o pecador (Gn 3.15; Lc 19.10; 2Co 5.19). Toda a missão nasce em Seu coração redentor.

A Igreja não criou as missões; ela foi chamada para participar da missão de Deus (Missio Dei). Assim como o Pai enviou o Filho ao mundo, Cristo enviou Sua Igreja para anunciar a salvação entre todas as nações. As missões transculturais têm sua origem na essência do próprio Deus. Antes de existir um missionário, já existia um Deus que envia, busca, salva e reconcilia. O Pai enviou o Filho (Jo 3.16,17; Gl 4.4), o Filho enviou o Espírito Santo (Jo 14.16,17; 15.26), e o Espírito envia a Igreja (At 13.2-4). A missão pertence primeiramente ao Senhor e somente depois à Igreja (2Co 5.1820; Ef 1.9-10).

1.2 O amor de Deus alcança todos os povos. Desde Abraão, Deus revelou Seu propósito de abençoar todas as famílias da terra (Gn 12.3; Jo 3.16; Ap 5.9). O plano da redenção nunca esteve restrito a Israel. O sacrifício de Cristo confirma esse propósito ao reunir um povo formado por todas as tribos, línguas, povos e nações. A natureza divina é imutável (Ml 3.6; Tg 1.17). O Deus transcendente (Is 57.15) também é imanente (Sl 139.7-10; At 17.27,28): governa o universo e, ao mesmo tempo, aproxima-se do ser humano para reconciliá-lo consigo (2Co 5.19). Seu propósito missionário permanece inalterado em todas as gerações (Hb 13.8; Ef 3.10,11). A missão nasce no coração de Deus e revela seu desejo eterno de reconciliar consigo toda a humanidade (Cl 1.19,20).

II – CHIPRE: O EVANGELHO ULTRAPASSA AS PRIMEIRAS FRONTEIRAS

A primeira viagem missionária demonstra, na prática, o propósito de Deus de levar o Evangelho além das fronteiras de Israel. Em Chipre, Paulo e Barnabé iniciaram a evangelização dos gentios, enfrentando oposição espiritual e testemunhando o poder transformador da Palavra de Deus.

2.1 A primeira etapa da viagem missionária (At 13.4,5). Enviados pelo Espírito Santo e recomendados pela igreja de Antioquia, Paulo e Barnabé chegaram à ilha de Chipre. Nas sinagogas anunciaram primeiramente aos judeus que Jesus era o Messias prometido, demonstrando que a evangelização deveria alcançar tanto judeus quanto gentios.

2.2 A oposição espiritual não impede a missão (At 13.6-11). Durante o ministério em Chipre, Elimas, o mágico, tentou impedir a conversão do procônsul Sérgio Paulo. Cheio do Espírito Santo, Paulo repreendeu o falso profeta, demonstrando que Deus concede autoridade espiritual para vencer toda oposição ao Evangelho.

2.3 O Evangelho alcança as autoridades (At 13.12). Ao testemunhar o poder de Deus, Sérgio Paulo creu no Senhor. Esse episódio demonstra que a mensagem do Evangelho alcança pessoas de todas as posições sociais, confirmando seu caráter universal.

III – ANTIOQUIA DA PISÍDIA, ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A EXPANSÃO ENTRE OS GENTIOS

Prosseguindo sua jornada, Paulo e Barnabé anunciaram o Evangelho em importantes cidades da Ásia Menor. Apesar da rejeição, perseguição e sofrimento, muitos receberam a mensagem de Cristo, evidenciando que nenhuma oposição pode impedir o avanço da obra missionária.

3.1 Antioquia da Pisídia: quando os gentios recebem a Palavra (At 13.44-49). Após a rejeição de muitos judeus, Paulo declarou que o Evangelho seria anunciado aos gentios, cumprindo a profecia de Isaías de que Cristo seria luz para as nações. A cidade tornou-se um marco da expansão missionária.

3.2 Icônio: perseverança em meio à oposição (At 14.1-7). Em Icônio muitos creram, porém também surgiu forte perseguição. Mesmo enfrentando ameaças, os missionários permaneceram anunciando a Palavra, confirmando-a com sinais e maravilhas. A missão exige perseverança diante das adversidades. 3.3 Listra e Derbe: discípulos são formados (At 14.8-23). Em Listra, Deus operou um grande milagre, mas logo Paulo sofreu apedrejamento. Mesmo assim, levantou-se e continuou pregando. Em Derbe muitos discípulos foram feitos, e posteriormente Paulo retornou às igrejas para fortalecer os novos convertidos, mostrando que a missão envolve evangelizar, discipular e estabelecer igrejas locais.

IV – A VISÃO BÍBLICA DA MISSÃO TRANSCULTURAL

Toda a Escritura revela um Deus que toma a iniciativa de buscar o homem perdido (Gn 3.9). Desde Gênesis até Apocalipse, a missão é apresentada como a manifestação do amor divino pela humanidade (Sl 96.1-3; Mt 24.14; Ap 5.9). A Igreja não criou as missões; ela foi inserida pelo próprio Deus em seu projeto eterno de redenção. Portanto, evangelizar é participar da “Missio Dei” [Missão de Deus], isto é, da missão do próprio Deus no mundo.

4.1 Deus sempre desejou alcançar todas as nações. Desde Gênesis, Deus demonstra interesse por todos os povos (Gn 12.3). A promessa feita a Abraão tinha alcance universal (Gn 18.18; 22.18). O Deus da Bíblia nunca foi um Deus nacionalista, mas missionário (Is 42.6; 49.6; Jn 4.2; Sl 67.1-7; Mt 24.14). O propósito divino sempre alcançou todas as etnias da terra (Ap 7.9).

4.2 Israel foi escolhido para cumprir uma missão. Israel foi escolhido para servir de instrumento da revelação divina às nações (Êx 19.5,6; Is 43.10-12). Contudo, ao confundir eleição com exclusivismo (Jn 4.1-3; Mt 23.15), perdeu grande parte de sua visão missionária. Ainda assim, Deus permaneceu fiel ao seu plano redentor (Rm 3.1-4; 11.11-15; Gl 3.8).

4.3 A Igreja recebeu a continuidade da missão. Com Cristo, a responsabilidade missionária alcança sua plenitude na Igreja (Mt 28.18-20; Mc 16.15; Lc 24.46-49; Jo 20.21; At 1.8). A Igreja tornou-se a agência missionária estabelecida por Deus para anunciar o Evangelho entre todos os povos (Ef 3.8-11). Capacitada pelo Espírito Santo (At 13.1-4; 16.6-10), deve ultrapassar fronteiras geográficas, culturais, linguísticas e religiosas até que todas as nações ouçam a mensagem da salvação (Rm 10.13-15).

V – A MISSÃO CONTINUA ATRAVÉS DA IGREJA

A obra missionária não termina com a evangelização de um povo ou cidade. O trabalho da Igreja também envolve fortalecer os novos convertidos, organizar as igrejas locais e permanecer comprometida com a expansão do Reino de Deus. O exemplo de Paulo e Barnabé continua sendo um modelo para a Igreja de todos os tempos.

5.1 As igrejas são fortalecidas. Depois de anunciar o Evangelho, Paulo e Barnabé voltaram às cidades visitadas fortalecendo os discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé e estabelecendo presbíteros em cada igreja (At 14.21-23). O objetivo da missão não era apenas ganhar almas, mas consolidar comunidades cristãs.

5.2 Os missionários prestam contas à igreja enviadora. Ao regressarem à Antioquia da Síria, reuniram a igreja para relatar tudo quanto Deus havia realizado entre os gentios (At 14.26-28). Esse modelo demonstra que o trabalho missionário deve manter vínculo permanente com a igreja local.

5.3 O propósito missionário permanece até hoje. A primeira viagem missionária tornou-se modelo para todas as gerações (Mt 24.14; Ap 7.9; Rm 10.13-15). O mesmo Deus que enviou Paulo e Barnabé continua chamando, capacitando e enviando Sua Igreja para anunciar o Evangelho a todos os povos, até que Cristo venha.

VI – A IGREJA COMO INSTRUMENTO DA MISSÃO DE DEUS

A missão que nasceu no coração de Deus e foi consumada em Cristo continua sendo realizada por meio da Igreja. O Senhor não apenas salva pessoas de todas as nações, mas também levanta um povo comprometido em proclamar o Evangelho até os confins da terra. A Igreja é chamada a viver, sustentar e expandir a obra missionária no poder do Espírito Santo.

6.1 A Igreja é enviada ao mundo. Assim como o Pai enviou o Filho, Cristo enviou sua Igreja (Jo 20.21). O chamado missionário é universal e alcança todos os discípulos (Mt 5.13-16; Mt 28.19,20; Mc 16.15; At 1.8). Evangelizar não é uma opção, mas uma responsabilidade confiada por Deus à Igreja (1Co 9.16; Rm 10.14,15).

6.2 O Espírito Santo capacita a Igreja para cumprir sua missão. Nenhuma missão pode ser realizada apenas pela capacidade humana. O Espírito Santo concede poder para testemunhar (At 1.8), dirige os missionários (At 13.2-4; 16.6-10), distribui dons espirituais (1Co 12.4-11), fortalece a Igreja nas perseguições (At 4.29-31) e confirma a Palavra com sinais (Mc 16.20; Hb 2.3,4).

6.3 O alvo final das missões é a glória de Deus entre todos os povos. O propósito supremo da obra missionária não é apenas o crescimento da Igreja, mas que Deus seja conhecido e glorificado por todas as nações (Sl 67.1-7; Sl 96.1-3; Ml 1.11). A visão final da Bíblia mostra pessoas de toda tribo, língua, povo e nação adorando ao Cordeiro (Ap 5.9,10; 7.9-10). As missões transculturais caminham para esse glorioso cumprimento escatológico.

CONCLUSÃO

A primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé demonstra que as missões transculturais são a expressão prática do propósito eterno de Deus. O Senhor enviou Seus servos a Chipre, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe para anunciar o Evangelho entre os gentios, confirmando que Seu plano sempre foi alcançar todas as nações. Hoje, a Igreja continua participando dessa mesma missão, proclamando Cristo até os confins da terra, fortalecendo discípulos e estabelecendo igrejas para a glória de Deus.

REFERÊNCIAS

• GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.

• _____________. Até os confins da Terra: Pregando o Evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. CPAD.

• PEARLMAN, Myer. Atos: E a Igreja Fez Missões. CPAD.

• PEREIRA, Shóstenes. Fundamentação Bíblica para a Evangelização. BEREIA.

• STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 06 de Jul de 2026