ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó
COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 9 – JACÓ E ESAÚ, IRMÃOS EM CONFLITO
A história dos filhos gêmeos de Isaque - Esaú e Jacó - é um exemplo clássico de que a predileção dos pais na criação dos filhos traz dissenções familiares, traumas emocionais e transtornos de personalidade que têm início na infância e podem afetar as relações na vida adulta. A criação dos filhos no caminho do Senhor deve ser marcada pelo aprendizado dos princípios e valores bíblicos que moldam a maneira de pensar, interpretar a realidade e se comportar (Ef 6.1-4). Esse processo se dá pela instrução, diálogo e, sobretudo, pelo exemplo dos pais nas relações familiares.
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
OS FILHOS DE ISAQUE
Como Sara, Rebeca era estéril; e como Abraão, Isaque estava profundamente aflito por este infortúnio e orava para que o SENHOR lhes concedesse filhos. Uma comparação entre os versículos 20 e 26 mostra que passaram vinte anos para que os filhos nascessem. Durante a gravidez, Rebeca se afligiu por causa da atividade excessiva em seu ventre. “Se assim é, por que sou eu assim?”. Desesperada, ela buscou ajuda do SENHOR. Foi assim que ela ficou sabendo que tinha gêmeos, que eles eram de caráter diferente e que seriam genitores de dois povos distintos. Também lhe foi dito que os descendentes do mais novo construiriam a nação mais forte. A mãe nunca esqueceu esta mensagem.
Durante o desenrolar da história, Isaque buscou no Senhor o seu milagre. Ele sabia que o caso da esterilidade de sua esposa somente poderia ser resolvido pelo Senhor, e por isso intercedeu. Ele sabia muito bem que estava debaixo de uma grande promessa, e que o único que poderia cumpri-la seria o Deus Todo-Poderoso.
Jacó e Esaú foram a resposta de sua oração; os seus pais os receberam da parte de Deus por terem orado, logo depois de terem estado durante muito tempo sem filhos. O cumprimento da promessa de Deus é sempre seguro, mesmo que às vezes possa parecer lento. A fé dos crentes prova e exercita a paciência deles, e as misericórdias grandemente esperadas são melhor recebidas quando chegam.
Destaque
Isaque e Rebeca tinham diante de si a promessa de que todas as nações seriam benditas em sua descendência; portanto, não somente desejavam filhos, mas anelavam por todas as coisas que aparentemente marcariam o caráter deles. Devemos, em oração, perguntar ao Senhor a respeito de todas as nossas dúvidas. Em muitos de nossos conflitos com o pecado e a tentação, poderíamos adotar as palavras de Rebeca: "se assim é, por que sou eu assim?" se sou filho de Deus, por que sou tão negligente ou carnal? se sou filho de Deus, por que sou tão temeroso ou tão carregado com o pecado?
ESAÚ VENDE SUA PRIMOGENITURA
A diferença entre os meninos se intensificou conforme cresciam. Sendo de constituição robusta, a caça foi o primeiro amor de Esaú. Jacó tinha prazer em cuidar de animais domesticados. Talvez seja esta a razão de ele ser chamado varão simples. O caráter contrastante dos rapazes despertou gostos e desgostos nos pais, que tenderam a colocar uma cunha emocional entre eles. O distinto Isaque desenvolveu forte preferência pelo rude Esaú; a vivaz Rebeca concentrou a atenção no menos dinâmico Jacó.
O favoritismo dos pais por cada filho em particular trouxe problemas sérios, pois a família acabou se dividindo. Jacó de um lado desejava muito a primogenitura de Esaú, que de outro, estava mais preocupado com os prazeres de sua vida.
A primogenitura era um privilégio espiritual, e podemos ver o desejo de Jacó por ela; porém, procurou obtê-la por meios irregulares, e não segundo o seu caráter de homem simples. Ele tinha razão ao desejar fervorosamente os melhores dons; fez mal, porém, ao aproveitar-se da necessidade de seu irmão. A herança dos bens mundanos do pai não destinava-se a Jacó, e não estava incluída nesta proposição. Porém, incluía a posse futura da terra de Canaã por parte de seus descendentes, e o pacto feito com Abraão quanto a semente prometida. O crente Jacó atribuiu a estas coisas um valor superior a todas as outras; o incrédulo Esaú as desprezou.
Esaú entregou muito por um baixo preço. Para ele, a primogenitura era algo desprezável diante de sua fome, e por isso deixou que os seus olhos e sua vontade o fizessem vender aquilo que Deus lhe deu por um baixo preço. Ninguém escolhe ser o primogênito, pois somente o Senhor determina a ordem de nascimento. Contudo, Esaú decidiu desprezar o que Deus lhe deu por um prato de comida.
O guisado de Jacó agradou os olhos de Esaú. Ele disse: "Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho"; por isso, se chamou o seu nome Edom ou vermelho. [...] Não se pode supor que Esaú estivesse morrendo de fome na casa de Isaque. As palavras que ele disse significam: "Eu não viverei para herdar Canaã, ou qualquer uma destas supostas bênçãos futuras, e o que elas poderão significar para quem as receber quando eu estiver morto e já tenha partido". Esta seria a linguagem do profano, conforme o escritor aos hebreus o qualificou (Hb 7.16); e este menosprezo pela primogenitura é culpa dele mesmo (v. 34). É de nosso mais alto interesse separar Deus, Cristo, o Espírito Santo e o céu, de nosso interesse pelas riquezas, pela honra e pelos prazeres deste mundo. Não fazê-lo é um negócio tão mau quanto aquele que vende a sua primogenitura por um guisado.
Destaque
No contexto da casa de Isaque, a formação do caráter dos filhos foi afetada pela má condução dos pais na educação a começar pela predileção em relação aos filhos. Depois, pela ousadia de Rebeca em enganar seu esposo para privilegiar um dos meninos. Como se não bastasse, o filho mais novo engana o pai e o irmão mais velho para roubar a bênção relacionada à primogenitura. E nesse contexto, temos um filho mais velho que sequer compreendia a importância do direito à primogenitura e resolve trocá-lo por uma refeição, pensando apenas em satisfazer a sua necessidade carnal imediata. Esse ato lhe custaria muito caro, pois no dia acordado pelo pai em que Esaú deveria receber a bênção patriarcal, o trágico aconteceu. Seu irmão mais novo se antecipa e rouba-lhe a bênção.
A satisfação do apetite sexual tem arruinado milhares de almas preciosas. Quando o coração dos homens anda após os seus olhos (Jó 31.7) e servem aos seus ventres, podem estar certos de que serão castigados. Se nos empenharmos em negar a nós mesmos, romperemos a força da maioria das tentações. [...] Esaú comeu e bebeu, satisfez o seu apetite, e em seguida levantou- se e partiu, sem pensar seriamente nem lamentar o mau negócio que havia feito. Assim, desprezou o seu direito de primogenitura. Por causa de sua negligência e desprezo posteriores, e procurando justificar-se do que havia feito, deixou o assunto no esquecimento. As pessoas não são somente destruídas por praticarem o mal; porém, mais ainda por fazê-lo e não se arrependerem.
REBECA INDUZ JACÓ AO PECADO
Isaque ficou velho e cego, e possivelmente estava bastante doente. Ele acreditava que estava prestes a morrer, embora tenha vivido por mais outros quarenta anos (Gn 35.28). Ele resolveu que era tempo de passar a bênção patriarcal ao sucessor. De acordo com os costumes dos seus antepassados, esta bênção pertencia a Esaú, o filho mais velho.
Isaque então manda chamar a Esaú e lhe pede um guisado, que após servido a benção patriarcal seria emitida. Rebeca ouviu tudo e planejou algo distinto: a benção que por direito seria de Esaú, através de uma manobra seria proferia da Jacó. O projeto do engano foi arquitetado, e um grande problema surgiu na vida da família.
As reações de Rebeca e Jacó ao plano de Isaque não trazem total descrédito ao caráter de cada um. Na realidade, todos os quatro participantes desta história são coerentemente apresentados de modo desfavorável. A parcialidade parental de um filho acima do outro por pai e mãe (Gn 25.28) conduzira a um desarranjo de entendimento entre eles. Isaque ignorava Rebeca e ela foi incapaz de falar com ele sobre seu erro. Desesperada, Rebeca se voltou a Jacó, recrutando seu apoio para implementar um plano de engano. Ele deveria trazer do rebanho dois bons cabritos, para que ela preparasse o tipo de guisado que Isaque gostava. Jacó o levaria a Isaque e receberia a bênção antes que Esaú voltasse. O desejo excessivo do velho homem por certo guisado saboroso foi o ponto de entrada para esta trama.
Destaque
Os erros em sequência acarretariam um futuro difícil para toda a família. A mãe não veria mais a face de seu filho predileto. Os irmãos passariam longos dias distantes um do outro, inclusive, o mais velho desejando a morte do mais novo. Essa história ensina preciosas lições à família cristã. Entre elas, que os filhos não podem ser tratados com privilégios. Entre os pais não pode haver mentiras, pois eles são o exemplo para os filhos sobre como viver uma relação saudável. A família que serve ao Senhor e obedece aos seus ensinamentos é grandemente abençoada.
Rebeca sabia que a bênção estava preparada para Jacó, e esperava que ele a recebesse. Porém, fez mal a Isaque ao enganá-lo; fez mal a Jacó, ao tentá-lo para que fizesse o mal. Pôs uma pedra de tropeço no caminho de Esaú, e deu-lhe um pretexto para odiar a Jacó e aborrecer a religião. Todos eram culpáveis. Era uma daquelas medidas tortuosas que vez por outra são adotadas por algumas pessoas, para fazer com que as promessas divinas sejam apressadas; como se os fins justificassem ou escusassem os meios incorretos. Assim, pois, muitos têm agido mal com a ideia de serem úteis para fomentar a causa de Cristo. A resposta a todas estas coisas é aquela que Deus dirigiu a Abraão: "Eu sou o Deus Todo- poderoso; anda em minha presença e sê perfeito".
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA