Adultos

Lição 5 - O juízo contra Sodoma e Gomorra V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 5 – O JUÍZO CONTRA SODOMA E GOMORRA

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos o juízo sobre os habitantes de Sodoma e Gomorra; pontuaremos sobre a revelação do juízo divino; veremos sobre a gravidade dos pecados praticados pelos moradores de Sodoma e Gomorra; apontaremos os elementos da intercessão de Abraão em prol dos justos de Sodoma e Gomorra; e por fim, destacaremos lições do juízo divino que servem para a Igreja contemporânea.

I – A REVELAÇÃO DE DEUS A ABRAÃO

1.1 Definição de Teofania. Segundo o escritor Wycliffe (2007, p. 1909), a expressão “teofania” combina duas palavras gregas, “theos” (Deus), e “phainein” (mostrar, manifestar), significando “manifestação de Deus”. Destaca-se que a manifestação não aparece necessariamente em forma humana (Gn 18.1,2; Gn 32.24-30), mas pode aparecer em uma forma simbólica (Gn 15.17; Êx 13.21,22). Também pode aparecer em sonhos (Gn 28.10-17) ou visões (Dn 10.5,7; Zc 1.7-17).

1.2 A Teofania nos Carvalhais de Manre. O capítulo 18 do Gênesis inicia com uma aparição especial do Senhor a Abraão: “Depois, apareceu-lhe o Senhor nos carvalhais de Manre [...] E levantou os olhos e olhou, e eis três varões estavam em pé junto a ele” (Gn 18.1,2). Esta teofania ocorreu no momento mais quente do dia, quando Abraão estava à entrada da tenda. Abraão, reconhecendo a presença sagrada, prostrou-se e ofereceu hospitalidade (Gn 18.3-5; Hb 13.2). A atitude de Abraão ao receber os visitantes é um modelo de reverência e serviço. Ele correu, apressou-se e ofereceu o melhor de seus recursos. Assim deve ser a atitude de todo aquele que serve ao Senhor (Rm 12.13; Tt 1.8; Hb 13.2; 1Pe 4.9).

1.3 O Senhor confindencia Seus planos a Abraão. Após a refeição, o Senhor renova e ratifica a promessa de que Sara iria conceber um filho: “tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara, tua mulher, terá um filho” (Gn 18.10). Segundo o teólogo Henry (2008, p. 103), “nós somos lentos de coração para crer, e por isto precisamos da repetição para o mesmo propósito”. Após a renovação da promessa, o Senhor questiona: “Ocultarei eu a Abraão o que faço?” (v. 17). Esta pergunta retórica revela o princípio de que Deus compartilha Seus planos e juízos com aqueles que O temem (Sl 25.14). A confidência divina é um privilégio da amizade com Deus. Não é por acaso que Abraão era chamado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23). Por isso Deus revela a Abraão os Seus planos (Gn 18.20,21).

1.4 O propósito da revelação: a justiça divina. Deus revela Seu plano porque Abraão “certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agirem com justiça e juízo” (Gn 18.18.19). A revelação do juízo contra Sodoma e Gomorra tinha um propósito pedagógico: ensinar a Abraão e sua semente a natureza da justiça divina e a importância de andar nos caminhos do Senhor. Deus é misericordioso, mas também é o Deus a quem pertence a justiça (Dt 32.25,26). Deus não age por impulso, mas de acordo com Sua natureza santa (Lv 19.2; 1Pe 1.15,16) e Seus padrões morais estabelecidos (Sl 19.7,8; Mq 6.8).

II – A GRAVIDADE DO PECADO DE SODOMA E GOMORRA

2.1 O clamor que sobe a Deus. “Disse mais o Senhor: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito” (Gn 18.20). A expressão “clamor” indica que a injustiça, a violência e a opressão nas cidades eram tão intensas que chegaram aos céus. “O verbo [hebraico] zāaq é usado com mais frequência para indicar o “clamor” por ajuda em tempos de necessidade urgente, sobretudo o “clamor” por ajuda divina. No entanto, no caso de Sodoma e Gomorra, a expressão clamor conota a culpa ou a condição de pecado” (Vine, 2002, pp.71, 221, grifo nosso). O pecado contra o próximo gera um clamor que Deus ouve (Êx 3.7-9).

2.2 O pecado agravado e multiplicado. O texto de Gênesis 18.20 enfatiza que o pecado de Sodoma e Gomorra, “se tem multiplicado” (volume) e “se tem agravado muito” (intensidade). Não era um pecado isolado, mas uma cultura de depravação enraizada (Gn 19.5-9). Champlin (2001, p. 135) afirma que “seus habitantes eram culpados dos crimes mais notórios: eram tendentes a toda espécie de vicio; eram praticantes da injustiça; e se tinham escravizado a concupiscências desnaturais, que exibiam publicamente, sem nenhum pejo”. De acordo com Renovato (2026, p. 54), “os habitantes de Sodoma e Gomorra envolviam-se com todo tipo de pecado. Mas, dentre eles, se destacava a homossexualidade, pecado gravissimo, considerado “abominacao ao Senhor”, punido com pena de morte na antiga alianca (Lv 18.22;20.13)”. A multiplicação do pecado indica que a sociedade havia se corrompido completamente, rejeitando toda norma moral. Esse é o retrato da sociedade hodierna (2Tm 3.1-5).

2.3 A descida para investigar. “Descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor que veio a mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn 18.21). Esta linguagem antropomórfica não sugere que Deus desconhecia a situação. O teólogo Henry (2008, p. 105) esclarece que: “isto não significa que haja alguma coisa sobre a qual Deus tenha dúvidas, ou esteja às escuras. Mas Ele se compraz em expressar-se assim, à maneira dos homens: a) Para mostrar a incontestável justiça de todos os seus procedimentos judiciais. Os homens são capazes de sugerir que o Seu modo não é justo. Mas saibam que os Seus juízos são o resultado de um conselho eterno, e nunca são decisões precipitadas ou impensadas. b) Para dar exemplo aos magistrados, e àqueles que têm autoridade, para que, com o máximo cuidado e diligência, investiguem os méritos de uma causa, antes de julgá-la”. Deus é o justo juiz (Sl 7.11).

2.4 A paciência divina antes do juízo. Antes de executar o juízo, Deus declara a gravidade do pecado de Sodoma e Gomorra, enfatizando que Sua justiça não age sem pleno conhecimento e evidência. A frase “descerei e verei” aponta para o ato de observação de Deus. Vemos esse mesmo princípio na observação da construção da torre de Babel (Gn 11.5-7). Isto revela um padrão: Deus examina antes de agir. Deus não é apressado em julgar (Êx 34.6; Sl 103.8; 2Pe 3.9). Ele dá tempo e oportunidade para o arrependimento (Ez 18.23; 1Tm 2.4) e, antes da destruição, envia advertências e oportunidade para mudança (Gn 6.3; 2Cr 36.15,16; Jn 3.4-10). A longanimidade divina precede o juízo (Rm 2.4).

III – A INTERCESSÃO DE ABRAÃO PELOS JUSTOS

3.1 A ousadia fundada na justiça divina. Abraão pergunta: “Destruirás também o justo com o ímpio? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti seja. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gn 18.23,25). Sua intercessão não questiona o juízo divino, mas apela para o caráter justo de Deus: 1) Deus é justo e ama a justiça (Sl 11.7; Sl 37.28); 2) Deus protege e sustenta os justos (Jó 36.7; Sl 34.15; Pv 10.3); e, 3) Deus faz justiça em favor dos justos (Sl 140.12; Is 54.17; Lc 18.7,8).

3.2 A persistência na intercessão. Abraão intercede começando com 50 justos, reduzindo reduzindo a quantidade de justos gradativamente. A cada redução, Deus responde afirmativamente “pouparei; não o farei; não a destruirei”. Esta negociação revela a disposição de Deus de responder à oração intercessória e Sua imensa misericórdia (Sl 100.5; Lm 3.22,23; Mq 7.18; Lc 1.50; Ef 2.4). A intercessão de Abraão é um modelo de oração perseverante. Ele não se cansou de apresentar sua petição, e Deus não se cansou de ouvi-lo. Devemos orar sem cessar (1Ts 5.17).

3.3 O limite da intercessão e a realidade do juízo. A intercessão cessa em 10 justos. Nem mesmo essa quantidade de justos fora encontrada em Sodoma e Gomorra (Gn 19.9b). O patriarca Abraão parou em dez, não porque Deus não o ouviria mais, mas porque o próprio Abraão sabia que não havia sequer esse número de justos naquelas cidades. A misericórdia tem limites quando o pecado atinge seu ápice (Gn 15.16; Mt 23.22). Aqui aprendemos que a intercessão tem limites quando a impenitência humana alcança sua plenitude (Jr 7.16; Jr 11.14). A intercessão não pode suspender eternamente o juízo quando não há arrependimento (2Cr 36.15,16; Pv 29.1). O juízo divino chegou sobre as cidades (Gn 19.24,25).

IV – LIÇÕES DO JUÍZO DIVINO PARA A IGREJA CONTEMPORÂNEA

4.1 O perigo da indiferença moral. A igreja deve continuar estar alerta contra a normalização do pecado na sociedade moderna. O juízo sobre Sodoma e Gomorra serve como um exemplo de que Deus não tolerará a rebeldia contra Suas leis naturais e espirituais, e assim virá o julgamento divino (Rm 1.27; 1Co 6.9,10; Ef 5.5,6; Hb 13.4; 2Pe 2.6-8).

4.2 A iminência do juízo divino. O julgamento veio de forma inesperada sobre Sodoma e Gomorra (Gn 19.24,25). A sociedade de hoje, tal como a de Sodoma e Gomorra, vive distraída e entregue aos prazeres (Lc 17.28; Fp 3.19; 2Tm 3.14), ignorando a iminência do juízo (1Ts 5.2,3). A iminência nos convoca à vigilância (Mt 24.42; Lc 21.34-3b6), pois o Juiz de toda a terra voltará para recompensar a cada um segundo as suas obras (Ap 22.12).

4.3 O refúgio na misericórdia divina. Assim como os anjos estavam prontos para tirar do meio da destruição aqueles que temiam a Deus em Sodoma e Gomorra (Gn 19.15,16), Jesus Cristo livrará a Igreja da ira futura (Rm 5.9; 1Ts 1.10) e do juízo divino (Lc 21.36; Ap 3.10).

4.4 A responsabilidade da Igreja como agente de intercessão e testemunho. Assim como Abraão se colocou na brecha intercedendo por Sodoma, a Igreja contemporânea é chamada a exercer seu papel intercessor em favor da sociedade corrompida (Ez 22.30; 1Tm 2.1,2). Além de denunciar o pecado, a Igreja deve anunciar a graça salvadora, sendo “sal da terra” e “luz do mundo” (Mt 5.13,14). Em um contexto de degradação moral, não basta apenas condenar, mas é necessário proclamar o evangelho que transforma vidas (Rm 1.16). A omissão diante do pecado coletivo é incompatível com a missão da Igreja. Portanto, cabe ao povo de Deus viver de forma santa, interceder com perseverança e testemunhar com fidelidade, apontando para Cristo como o único meio de escape do juízo vindouro (At 4.12; Cl 4.2-6).

CONCLUSÃO

O juízo contra Sodoma e Gomorra ensina que Deus é justo e não pune sem causa, mas também é misericordioso e ouve a intercessão dos justos. A destruição das cidades serve como advertência contra o pecado, enquanto a preservação de Ló demonstra que Deus livra aqueles que Lhe pertencem. Que possamos, como Abraão, interceder com ousadia e viver em justiça diante do Juiz de toda a terra.

REFERÊNCIAS

• CHAMPLIN, Russell Norman. O Antigo Testamento Interpretado Versículo por Versículo - Vol. 1. Hagnos.

• HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 1. CPAD.

• PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário Bíblico Wyclliffe. CPAD.

• RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o Mundo não Era Digno - Legado de Abraão, Isaque e Jacó. CPAD.

• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

• VINE, W. E. UNGER et. al. Dicionário Vine. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 26 de Abr de 2026

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