Lição 8 - Uma Igreja que enfrenta os seus problemas VI

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ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL - CEADTAM - CGABD

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TERCEIRO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - A IGREJA EM JERUSALÉM: Doutrina, comunhão e fé: a base para o crescimento da Igreja em meio às perseguições

COMENTARISTA: José Gonçalves

COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 8 – UMA IGREJA QUE ENFRENTA OS SEUS PROBLEMAS

A lição desta semana discorre sobre a diaconia do ponto de vista bíblico. Diferentemente do que muitos crentes pensam na atualidade, o exercício da diaconia não é exclusiva daqueles que têm o cargo de diácono. Antes, a palavra diaconia tem na sua essência o significado de "serviço". Logo, o exercício da diaconia é um dever de todos os crentes. Na igreja atual, há uma grande discussão sobre o trabalho realizado pelos diáconos. Infelizmente, muitos crentes diminuem a excelência do diaconato, dizendo ser apenas um cargo com finalidades sociais ou de zeladoria. Longe de ser apenas uma função menor, o cargo de diácono é de sublime honra, haja vista os escritos de Atos e as epístolas pastorais apresentarem alto nível de exigência para aqueles que desejavam exercer essa função.

O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.

A IDENTIFICAÇÃO DOS CONFLITOS

Com o colossal crescimento da igreja, alguns problemas vieram à tona. Lucas relata: Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária (6. l). O crescimento numérico da igreja sempre trará na bagagem problemas potenciais que precisam ser enfrentados com urgência e sabedoria.

No caso em questão, o conflito foi gerado por questões sociais e culturais. Algumas pessoas estavam sendo preteridas simplesmente pelo fato de sua origem social, onde os que falavam grego eram deixados de lado por este motivo. Um grande exemplo de caso de preconceito e preterição dentro da Igreja.

As viúvas dos helenistas, aqueles convertidos que vieram da dispersão e não falavam o hebraico, começaram a ser esquecidas na distribuição diária. A injusta distribuição dos recursos gerou murmuração na igreja. O som da palavra grega murmuração sugere o zumbir das abelhas. Um tumulto no meio da comunidade cristã estava colocando em risco a comunhão da igreja. A comunhão, que fora atacada pela hipocrisia de Ananias e Safira, estava novamente sendo ameaçada pela injustiça.

O que denota aqui é que no início a questão social não recebeu a devida importância até o momento em que surgiu o conflito. Precisamos compreender que as questões espirituais sustentam a Igreja, contudo, as questões sociais não podem ser desprezadas, pois entre nós existem muitos que estão passando por necessidades reais e urgentes.

Destaque

E muito provável que o esquecimento das viúvas helenistas não fosse proposital. A queixa acabava recaindo sobre os apóstolos, que estavam encarregados dessa distribuição (4.35,37). Uma medida imediata precisava ser tomada para corrigir o problema. Os apóstolos não foram negligentes nem remissos. Agiram com rapidez e sabedoria para estancar aquela hemorragia que colocava em risco a paz interna da igreja e o seu testemunho externo.

A DELEGAÇÃO DE TAREFAS

Os apóstolos não ficaram na defensiva. Acolheram as críticas dos helenistas e tiveram coragem de fazer uma correção de rota. Alguém já disse que o sucesso é "o ninho do ano anterior, do qual os pássaros já voaram embora". Aquilo que funcionou bem ontem pode não ser mais funcional nem relevante hoje. Não podemos sacralizar as estruturas. Elas são facilitadoras, e não empecilhos, para o avanço da obra. Em vez dos apóstolos se desgastarem ainda mais no trabalho do serviço às mesas, ampliaram o quadro de obreiros.

Os apóstolos estavam comprometidos e empenhados na ministração da Palavra e na aplicação da oração, para que os ensinamentos apresentados por Cristo fossem transmitidos aos primeiros cristãos. Por isso para eles não era "razoável que deixassem a Palavra de Deus para o serviço das mesas" (At 6.2). Isso foi falado não como uma forma de desprezo ao serviço diaconal, mas sim como um alerta para muitos líderes: ninguém faz tudo sozinho.

Aos apóstolos foram confiados os oráculos de Deus. Eles foram encarregados de ensinar a Palavra e fazer discípulos de todas as nações. Cabia a eles a diaconia da palavra, e não a diaconia das mesas. Embora fosse um trabalho justo e necessário, a assistência às viúvas pobres não era a prioridade dos apóstolos. Eles não podiam abandonar as trincheiras da oração e do ministério da palavra para focar noutra área. A distração seria uma armadilha mortal.

O início oficial do serviço de diaconia na Igreja veio para suprir essa lacuna sem prejudicar trabalhos essenciais para o Reino de Deus. Ser diácono é algo grandioso, que não pode ser desprezado na Igreja. Aquele que servir bem como diácono deve ter em mente que está apresentando Cristo através do seu serviço.

Destaque

Vale destacar que o exercício ministerial, seja para o cargo de diácono ou mesmo para os demais cargos, deve ter como essência a atitude de um coração disposto a servir, sempre pensando na edificação do Corpo de Cristo e na glorificação do Filho de Deus.

SEGUINDO OS PRINCÍPIOS CRISTÃOS

Os apóstolos entenderam a legitimidade da diaconia das mesas. Eles reafirmaram a necessidade de continuar o serviço de assistência aos pobres. A evangelização não anula a ação social, nem esta dispensa aquela. A solução, porém, não era os apóstolos deixarem a oração e a Palavra para se dedicarem àquela causa urgente, mas escolherem homens com credenciais para exercer esse ministério. Os diáconos foram escolhidos não pelos apóstolos, mas pela igreja. Dentre os membros da igreja, com credenciais preestabelecidas, sete homens foram eleitos para exercerem a diaconia das mesas.

Perceba que o caráter pessoal foi colocado à prova. A Igreja quem decidiu com base nas qualificações pedidas pelos apóstolos. Não houve bajulação ou compra de posição, a Igreja avaliou e escolheu quem desejava que fossem os responsáveis para os servirem com amor de dedicação.

Perceba a importância de apresentar as características necessárias ao serviço, antes de ser escolhido para oficialmente realizar. Ser diácono vai muito mais além do que apresentar uma boa postura escondida em um terno. Ser diácono é apresentar o amor de Cristo através de sua filantropia.

Destaque

Todos fomos chamados pelo Senhor a servir com afinco em Sua obra. Para este compromisso não há hierarquia, mas disposição pronta e independente do cargo que se ocupa. Quanto maior a posição do cargo, maior deve ser o nível de responsabilidade, comprometimento e amabilidade no serviço. "Nada façais por contenda ou por vangloria, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo" (FP 2.3).

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA